Escolhendo uma rota como uma cicloturista de primeira viagem

“Caminhar sem rumo é uma grande arte”

(Henry David Thoreau)

Eu peguei parte das minhas economias e comprei uma passagem para Barcelona. De lá, eu tinha planos de seguir aproximadamente 1600 km até Amsterdam, de bicicleta. Na verdade, a escolha do ponto inicial da rota não teve nada a ver com grandes pesquisas ou aspirações pessoais. Optei por entrar pela Espanha porque simplesmente o valor da passagem era consideravelmente mais barato. E decidi terminar em Amsterdam, pois nesse caso, gostaria de ver com os meus próprios olhos e rodas, a cidade que minha tia Cristiane resumia com uma palavra. Uma palavra que talvez seja o sentido para tudo o que acredito hoje: liberdade.

Digitei no Google: Barcelona, Amsterdam, bike. Caí direto em um site holandês (muito bom e que recomendo!) onde encontrei uma rota pronta, com diversos arquivos de GPS para você baixar, informações sobre locais para se visitar e onde encontrar campings. Estava decidido: era para lá que eu ia.

rota

Viajar pela Europa com uma bicicleta era um sonho antigo, embora eu não tivesse a menor ideia de como e quando faria isso. Eu naturalmente sabia que existiam inúmeras rotas exclusivas para bicicletas e sem dúvida a Europa é um dos melhores espaços nesse planeta para se pedalar. No entanto, o que eu descobri na prática, é que tanto escolher uma rota quanto viajar em si com uma bicicleta na Europa não é tão simples assim. Se você tem na cabeça que a Europa é uma grande ciclovia e que todo mundo pedala por lá, bom, não é bem desse jeito…

Para quem esta viajando pela primeira vez, confesso que não sei bem o que dizer que possa ser considerado uma boa dica para você escolher sua rota. Até porque eu também sou uma cicloturista de primeira viagem e estou aprendendo!

Talvez, escolha os países que tem vontade de conhecer e veja se é possível atravessar a rota planejada, considerando o tempo que você tem para viajar. Eu passei por algumas rotas exclusivas para bicicletas que atravessam alguns países e que eu recomendo conhecer (falo sobre elas em posts específicos).

Hoje a Europa esta construindo uma rede de ciclovias que interliga vários países, a chamada EuroVelo. Durante a viagem tive a oportunidade de pedalar por uma e (como eu sou uma pessoa passional e ridícula) até chorei de emoção. No entanto, muitas das EuroVelos ainda não estão completas, por isso, ainda não é uma realidade (mesmo na Europa!) viajar por muitos e muitos quilômetros, atravessando diversos países em uma única rota exclusiva para bicicletas.

Embora pedalar por uma EuroVelo tenha sido uma das coisas mais gratificantes durante a viagem, gostei bastante de experimentar os diversos tipos de estradas e rotas pelas quais pude passar. Além das rotas exclusivas, pedalei por todo tipo de estrada e terreno que vocês possam imaginar. Estradas exclusivas, estradas de terra, estradas de pedras, estradas com carros, enfim, todo tipo de estrada praticamente.

Quando falamos de estradas “normais”, isto é, feitas para carros, na Europa você encontra basicamente três tipos: as autoestradas, as nacionais e as regionais. Não é permitida a circulação de bicicletas pelas autoestradas, mas nas demais é possível. Em geral os carros passam quase há um quilometro de distância de você (tô exagerando, mas fato é que eles realmente reduzem a velocidade e tomam uma distância considerável de um ciclista ao te ultrapassar) e você consegue transitar pelas nacionais e regionais com uma relativa tranquilidade, embora aquele tradicional “zummmmm” dos carros ando ao seu lado seja bem desagradável (pelo menos para mim).

bikes pessoas e carrosestradaplacas

(Estradas somente para carros, ciclovia na estrada, placa indicando a proibição da circulação de carros e motos e demais veículos. Note que a placa azul significa permitido…)

Algumas nacionais (principalmente na França) possuem espaços exclusivos para bicicletas, quase como uma “ciclofaixa” nos bordos da estrada.

Com exceção da Espanha, o que posso dizer é que você só pedala por uma estrada “normal” se quiser. Na maioria das vezes, com um pouco de paciência e disposição, você sempre encontra uma rota (que pode ser até compartilhada com carros, mas neste caso, eles são poucos) incrível para pedalar.

Se você não sair com sua rota pronta e no roteiro da viagem (com uma rota no GPS, por exemplo), vai ter que ir buscar. E isso pode levar algum tempo do seu dia.

Eu tinha na cabeça que não saí do Brasil para ver a mesma coisa que vejo por aqui, ou seja: estradas “normais”, mesmo que em condições de educação beeeemmmm diferentes.

Embora haja muito respeito, penso que a relação entre um carro e uma bicicleta é sempre desleal e acidentes acontecem no mundo todo. Por isso, sempre que posso evitar um carro por perto, eu me sinto bem melhor.

Então só utilizei as nacionais quando foi realmente necessário. Comecei essa viagem acompanhada e meu parceiro gostava mais de viajar junto com os carros. Isso foi motivo de algumas brigas, mas no fim acabei convencendo ele de que viajar por rotas exclusivas era, ao menos, mais produtivo, já que eu pedalava bem mais rápido por elas.

Com um pouquinho de disposição, no fim, você tem grandes chances de encontrar rotas exclusivas para bicicletas onde, quando compartilhadas, a presença dos carros é mínima. Por isso, vale investir em perguntar. Quase sempre tem uma rota bem bacana, que você pode descobrir.

E por fim, ainda falando sobre escolha de rotas, vamos falar dessa maravilha tecnológica que personifica os deuses da navegação, o Google Maps… Lá no velho continente, quando você conecta o seu Google Maps, você tem como opção acessar rotas para bicicletas. Isso mesmo, além do carro, do ônibus e da pessoinha a pé, tem mais um botão com uma bicicletinha para você clicar no seu navegador – e ele funciona!

É realmente emocionante o que o Google reserva para você! Isso porque sim, você encontra rotas para bicicletas, mas nem sempre elas são recomendadas para bicicletas carregadas como as de um cicloturista. Evita + eu + os alforjes estávamos perto dos 100 kilos. Passar com uma bicicleta carregada com esse peso por uma rota de bicicletas forrada de pedregulhos (mesmo que indicada pelo Google) é garantia de pneus furados e muito estresse. Embora essas rotas sejam lindas para quem está em cima de uma mountain bike, para um cicloturista elas são um verdadeiro pesadelo. Por isso, continue sem confiar imensamente no nosso amigo Google. Ele é bom, mas também falha.

estradas do google

(Estradas do google maps)

Anúncios

2 comentários

  1. Só uma observação: diferente do Brasil, quando uma placa com a bicicleta tiver cor vermelha isso quer dizer que é proibida a circulação por aquela estrada. Sorte que não foram multados. Rsss!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s