Vou viajar de bicicleta, e agora?

Há alguns dias recebi um inbox de uma amiga de uma amiga de um amigo contando que ela iria fazer sua primeira viagem de bicicleta pela Europa sozinha e gostaria de algumas dicas. Acabamos marcando um bate papo antes da viagem e no meio da conversa ela me explicou que nunca tinha viajado de bicicleta antes e tinha optado por esse tipo de viagem por ser uma alternativa mais barata e possível na Europa.

Bom, que fique bem claro que eu não tenho lá tanta experiência assim para dar conselhos de viagens, mas fiquei em uma situação desconfortável, pois, por um lado eu não queria desencorajá-la a fazer a viagem, mas por outro, eu também sei que viajar de bicicleta não é simplesmente colocar uma bicicleta na estrada e ir. Isso é um começo, é fato, mas não é tudo.

Tenho para mim que a bicicleta é minha filosofia de vida e que o que eu mais amo fazer, depois de escrever, é pedalar. Mas sei também que muitas pessoas que viajam de bicicleta não necessariamente tem ela como veículo de vida e preferem utilizá-la por ser um meio de transporte versátil (afinal a bicicleta passa pelos mais diversos tipos de terreno) e barato.

Como eu já contei por aqui, viajar de bicicleta é fascinante e quero que cada dias mais pessoas possam provar disso. Então quebrei a cabeça pensando no que seria útil dizer para essa moça, sem querer colocar medos e limitá-la.

Viajar se aprende viajando. No entanto, eu pensei que algumas coisas que foram válidas para mim durante a minha viagem possam ajudar outras pessoas a fazerem uma viagem sem tantos perrengues.

  1. Leve uma barraca 

Ao contrário de muitas formas de viajar, se você opta por viajar com uma bicicleta de forma autônoma, você acorda e logo já tem duas questões para resolver: o que eu vou comer e onde eu vou dormir. E isso nem sempre é tão fácil de encontrar, já que o caminho também te reserva surpresas.

No quesito “comida”, além de sempre pedalar com sanduíches, frutas, castanhas e chocolates nos alforjes, parte da viagem eu contei com a “cozinha” (um pequeno fogareiro) do meu companheiro, que nos ajudou a fazer várias aventuras gastronômicas à luz da lua. Sempre é possível encontrar um supermercado para abastecer os alforjes. Mas atenção porque na Europa eles fecham cedo! Então o ideal é passar no supermercado sempre que encontrar um aberto e estiver faltando/quase faltando comida.

Sobre o “local para dormir”, o que eu senti é que muitas vezes (especialmente em cidades pequenas) é mais fácil você encontrar um camping do que um hostel ou um hotel. Além de ser uma alternativa mais em conta, é mais fácil acampar. Uma barraca permite que você durma em muitos lugares e você não fica tão tenso se perceber que esta escurecendo e ainda não achou um lugar para dormir.

Sobre acampar selvagem, bom isso é uma questão por lá, pois, em regra é proibido acampar em qualquer lugar sem permissão. No entanto, conversando com outros ciclistas durante o caminho, percebi que isso é uma prática bastante comum e muitos curtem dormir na natureza. O ideal é apenas não deixar a barraca exposta e atentar sobre áreas de caça. 

  1. Procure fazer uma pequena viagem antes 

Uma viagem de bicicleta tem uma série de peculiaridades. A capacidade do corpo, o desgaste físico, a mecânica, a velocidade, a vulnerabilidade e outros fatores. Posso dizer que é um jeito bem peculiar de viajar, por isso eu recomendo fazer um teste antes de partir para uma viagem mais longa e em outro país. Para ver se é a sua mesmo. Eu viajei a primeira vez e me encantei, mas pode ser que você não goste.

Minha primeira viagem de bicicleta eu fiz em 2013, de São Paulo para Piracaia. Depois dela veio Paranapiacaba, o Circuito Vale Europeu e a Rota Márcia Prado. Nenhuma dessas viagens eu fiz de forma autônoma e isso já foi uma grande diferença quando me vi sozinha na Europa, mas por entender como funciona uma cicloviagem eu me senti mais segura para continuar.

  1. Aprenda um pouco sobre mecânica

Procure um amigo ou um mecânico da sua confiança que possa te ensinar o básico da mecânica de uma bicicleta. E não basta fazer o curso e não praticar. Depois tente colocar a mão na massa. Troque um pneu sozinho (a). Monte e desmonte sua bike. Enfim, suje bastante a sua mão com graxa e se sinta seguro com a sua bicicleta. Antes de viajar acho que fiz uns dois cursos de mecânica na minha vida, mas nunca coloquei a mão na massa. E isso obviamente não deu certo. Saber a teoria e não a pratica em uma cicloviagem equivale a nada. 

  1. Não tenha medo, mesmo sabendo que o medo faz parte 

Penso que quando a gente esta diante de uma situação nova ou desconhecida é comum ficarmos com medo. O medo é bom, pois ele nos protege de várias coisas, mas o medo é ruim porque ele nos limita também.

Levei muitos medos do Brasil que eu nem sabia, principalmente relacionados à segurança. Acho que a gente não deve dar bobeira em lugar nenhum do mundo, mas não deixe que o medo te paralise também.

Passei diversas noites sem dormir direito por conta do medo que eu tinha de me ver em uma barraca sozinha, no meio do nada. No fim, o vento é só o vento. Ou seja, não deixe que o medo de impeça de aproveitar o que a sua viagem tem de diferente. 

  1. Leve uma papete 

Para mim, de tudo o que eu coloquei no alforje nada compensou mais do que uma papete. Acho que sempre rola uma crise sobre calçados, afinal eles ocupam bastante espaço, podem ser pesados e por isso não devem ser inúteis. Uma papete é uma mistura de tênis com chinelo e por isso acho que é imprescindível levar uma. Nos dias de chuva você pode molhá-la que ela seca mais rápido que um tênis e com meia ela pode te proteger do frio. Acho que foi uma das melhores coisas que levei durante a viagem e mais úteis também. Recomendo!

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2 comentários

  1. Não vai rolar posts sobre as viagens anteriores? 😀
    Fiquei curiosa principalmente pelo Circuito do Vale Europeu, já que fica perto pra mim e pretendo fazê-lo um dia. Fizeste o circuito completo? Foram sete dias? Estavas sozinha? Qual foi o período do ano?
    Bom, desculpa as várias perguntas, e fica à vontade pra respondê-las ou não.
    Vou seguir com minha leitur do blog. 🙂
    Um abraço!

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