5 dicas para mulheres que eu gostaria de saber antes de ter viajado de bicicleta

“Descobri que não queria ser como eles, queria sim, a liberdade deles”

(Pitty)

Durante algum tempo indo a eventos de cicloturismo sempre era chegado o momento em que alguém falava sobre a arrumação dos alforjes e uma voz lá do fundo da sala dizia “mas atenção mulherada! Não é para ficar levando o secador, a chapinha e os dez pares de biquíni”… Todo mundo ria e a conversa terminava por ai.

Tenho a impressão de que até hoje quando o tema é “mulheres viajando de bicicleta” o assunto acaba se restringindo à arrumação dos alforjes, infelizmente. No entanto, eu penso que existe um enorme universo além disso. Um universo que eu tive poucas oportunidades de conversar a respeito, mas penso que precisa ser mais explorado.

Antes de viajar eu acabei fazendo uma série de perguntas para outras mulheres que viajam, quase como uma consulta a um livro secreto. Outras coisas, acabei aprendendo na prática mesmo. Penso que falta muita informação ainda e um debate franco sobre o tema.

Por isso, eu decidi deixar um pouco a vergonha de lado, para falar sobre essas particularidades do mundo feminino que a gente convive todo dia e que, em uma viagem de bicicleta, acabam se transformando em uma questão.

  1. Menstruação

Desde que eu comecei a pedalar, a relação com a minha menstruação mudou bastante.

Para começar, tenho o alívio de declarar que: tenho bem menos cólicas!

Não sou uma especialista no tema, mas imagino que, devido ao fortalecimento dos músculos do abdômen, pedalar é um excelente tratamento na questão das cólicas menstruais. Conversando com outras amigas sobre isso, parece que eu não fui a única a sentir esse tipo de benefício.

Outra coisa que mudou bastante para mim é a questão do absorvente. Nunca fui muito fan de absorventes internos, mas a combinação selim + absorvente tradicional não é legal, então acabei adotando os internos mesmo. Recentemente eu comprei um coletor menstrual que eu ainda não testei. Dizem que, além de mais ecológico do que os absorventes tradicionais, ele é “o item” no quesito cicloviagem, pois não ocupa espaço no alforje e pode ser mantido durante todo o período que você estiver viajando. Mesmo se isso indicar lugares remotos e onde é mais difícil encontrar absorventes.

Durante a minha viagem eu optei por ficar sem menstruar emendando o anticoncepcional. Fiz isso com a orientação da minha ginecologista. Como a viagem foi de apenas um mês, esse tipo de tática funcionou bem pois eu não tive que lidar com os incômodos da menstruação. Se você pensa em emendar a pílula por um período mais longo de viagem, acho aconselhável procurar seu médico antes e ver como fazer isso direitinho.

  1. Alforjes e feminilidade 

Acho que é natural que as mulheres sintam mais dificuldades para desapegar na hora de arrumar o alforje. No final das contas, penso que a maioria de nós faz escolhas pelo que é mais bonito do que necessariamente funcional. Mas na hora de colocar tudo na bicicleta, é preciso pensar na relação peso X necessidade e viajar leve é quase sempre uma grande vantagem.

No entanto, eu descobri que para viajar leve você não precisa necessariamente encher seus alforjes de “roupas para pedalar” e deixar a “vontade de se arrumar” fora deles. Eu aprendi que não tem problema nenhum você gostar de se arrumar e se sentir feminina e isso não tem necessariamente a ver com levar um guarda roupa inteiro na bike.

Quando eu viajei levei um vestido muito leve, que se você dobrasse bem ele poderia caber na palma da mão. Mesmo sem ser uma roupa para usar todos os dias, poder vestir um vestido de vez em quando faz um bem enorme! Por isso, acho que essas coisas podem e devem ser incluídas na sua bagagem.

Outra coisa que funcionou bastante para mim no quesito “feminilidade nos alforjes” foram as faixas de cabelo. Além de protegerem o cabelo do vento e do sol, elas ocupam quase nada de espaço e você pode levar umas quatro, uma de cada cor e ir variando. Pares de brincos também fazem o mesmo efeito e ajudam a mudar um pouco e fazer com que você se sinta mais feminina e mais feliz também. 

  1. Selim e assaduras 

Quem me deu essa dica foi uma amiga e acho que foi uma das melhores coisas que já me ensinaram em termos de cicloviagem.

Se você vai passar muito tempo pedalando, mesmo com uma calça/bermuda acolchoada a dica é não usar calcinha. Isso porque a costura da roupa íntima, mesmo com calça/bermuda acolchoada, acaba atritando com o selim e isso pode gerar uma assadura bem chata.

Para evitar o problema das assaduras, existem alguns cremes especializados no mercado como o Chamois Butt’r, que fazem o trabalho de um lubrificante, evitando que o atrito acabe machucando a pele. Eu particularmente nunca usei, mas dizem que é bem eficiente. Acho que dispensar a calcinha resolve bastante. A desvantagem é ter que lavar a calça/bermuda com mais frequência.

  1. Banho 

Eu sabia que por alguns dias eu iria acampar no meio do nada, então para resolver a questão do banho levei um pacote de lenços umedecidos. Se você já tomou o famoso “banho de gato” sabe que você vai ficar com o corpo cheiroso, no entanto, bastante melado. Dois dias de banho de gato são suficientes para você ficar com um monte de poeira grudada no corpo e com um leve aroma de bumbum de bebê. Ou seja, essa não é a melhor saída.

Quem me deu essa dica foi uma ciclista de Belo Horizonte que viajava com o namorado e que eu encontrei no meio do caminho em uma rota na França. O melhor banho para você tomar quando não tem um chuveiro por perto é na base da canequinha. Dependendo do nível de frio, é possível esquentar a água se você tiver um fogareiro, e até se deliciar com um banho quente. Existem em lojas especializadas de camping chuveiros adaptáveis para barracas, mas acho que não vale o peso. A boa e velha caneca já ajuda bastante.

Na Europa boa parte das ciclovias por onde passei era fácil encontrar água, seja pelo número de rios, seja pela disponibilidade das pessoas que enchem suas garrafas com muito prazer. Então o banho de caneca ganhou lugar certeiro na viagem e me fez uma pessoa muito feliz, mesmo sem um chuveiro por perto.

  1. Xixi

Eu tenho dois irmãos e desde que éramos muito pequenos, me lembro que nas viagens da família minha mãe insistia para que eu fizesse xixi antes de entrar no carro. No entanto, toda viagem, meu pai parava para um dos dois fazer xixi na estrada. Desde muito cedo eu já saquei que a anatomia das mulheres não é das mais versáteis quando o tema é xixi e em uma cicloviagem isso não é diferente. Se você viajar com um homem, vai perceber que qualquer mato é mato e qualquer hora é hora. Mas no seu caso…

Quem me deu essa dica é uma amiga que acampa. Eu já testei e achei bem bacana. É nada mais do que um “revolucionário” funil de plástico. Com esse item super “inovador” você pode fazer xixi em muito mais lugares sem se preocupar em que lugar vai sentar. Se você é medrosa como eu e não curte sair da barraca no meio da noite para fazer xixi, acompanhado de uma garrafa PET, o seu funil vira um ótimo banheiro portátil.

No quesito número 2, ter uma pazinha para enterrar também é bacana para situações onde o banheiro não é logo ali.

Se você tem alguma dica e gostaria de compartilhar, os comentários estão aí para isso! Bem vinda (o) ao mundo imenso das mulheres que viajam de bicicleta…

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4 comentários

  1. Oi Pitty, a melhor maneira de aprender é partilhando. Grata por sua partilha.
    Banho de caneca é meu velho conhecido e particularmente é muito bom!
    No quesito Menstruação, recomendo fortemente que vc aposte mais no coletor. Ele é a mais inovadora criação para a mulher, é LIBERTADOR. Pedalar sem ele é impossivel. Aliás, ha mais de 2 anos que não poluo, não contribuo com essa industria farmaceutica cruel e me conheço bem mais e melhor, graças a ele.
    O melhor da estrada e das cicloviagens é desconfigurar os hábitos, se moldar, resignificar os atos!
    E enriquecer nossa vivência!
    Abç
    Evilene

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    • Oi Evilene!Então, estou aqui me adaptando com o coletor… Acho ele libertador, mas um pouco incômodo também. A única vantagem que sinto é na questão odores… Para cicloviagens ainda é a melhor opção pela questão do espaço.
      Obrigada pela visita e venha sempre!
      bj
      Helga

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  2. Helga, eu conheci o coletor em uma viagem não exatamente em cima da bike literalmente, mas levando uma dobrável comigo. Ele é ótimo em todos os sentidos, o problema às vezes é esquecer de tirar de tão cômodo que me pareceu. Outra coisa que aprendi, é que podemos ser femininas de diversas maneiras e não somente na tradicional maneira de nos arrumarmos,pois nessas viagens estar arrumado é bem relativo. Estar feminina é estar segura, estar fazendo o que acredita e o que gosta…é estar feliz consiga mesma, daí haja batom pra competir…Um beijo!

    Curtido por 1 pessoa

    • Olá, Letícia! Experimentei o coletor recentemente em uma viagem… Gostaria de dizer que a experiência foi incrível, mas não foi bem assim. Para mim (é o quinto mês que uso) ele vaza sempre e tenho a sensação como se ele pressionasse a minha bexiga. Já fiz verdadeiros exames ginecológicos para botar ele no lugar… Mas, em matéria de cicloviagem, devo dizer que ele ainda é a melhor opção, por ocupar pouco espaço, não gerar resíduo. Tentando ainda me adaptar…

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