Pequenas viagens: Praia de Castelhanos, Ilhabela, SP

Viagens longas ou viagens curtas, no final, isso pouco importa. Pelo menos se viajar de bicicleta é uma espécie de terapia para você, como é para mim. Aproveitar os finais de semana e os feriados para encher os alforjes, exercitar as pernas e relaxar a mente é super possível!

Como já falei por aqui, o Brasil tem paisagens e locais incríveis para se conhecer com uma bicicleta, por isso acho que a gente não deve desperdiçar as oportunidades de explorar os espaços invisíveis desse país abençoado por deus e bonito por natureza.

Há muito que quero incluir aqui no blog uma categoria de “pequenas viagens”, para ajudar aqueles que têm apenas o final de semana e os feriados para viajar de bicicleta. A ideia é mostrar que em poucos quilômetros tem muito para explorar e descobrir com uma bike.

E, estreando essa nova categoria, começo com uma boa descoberta que eu fiz em janeiro: a trilha para a praia de Castelhanos, em Ilhabela, São Paulo. Estou ilhada aqui por tempo indeterminado e aproveitando, entre um texto e outro, para explorar as belezas naturais com Evitoca, minha guerreira bicicleta. Para quem está em busca de Mata Atlântica bruta, subidas insanas, cobras e muita aventura, eu recomendo!

A trilha

Ilhabela está localizada no litoral norte de São Paulo e pode ser acessada somente por balsa, a partir de São Sebastião. Além de ser conhecida como a “capital nacional da Vela”, é popular pelos seus borrachudos, pelas paisagens e por contar com 85% do seu território coberto por Mata Atlântica.

A trilha que leva à praia de Castelhanos tem 22 quilômetros e corta o Parque Estadual de Ilhabela. Você pode acessá-la diretamente do Perequê, onde a balsa chega. Para atravessá-la, somente são permitidos veículos 4X4 ou um veículo muito mais poderoso chamado bicicleta! Você também pode fazer a trilha a pé se estiver com pique…

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Por ser estreita, os horários de tráfego dos jipes e demais veículos são controlados.  A partir das 10 horas, somente é permitido o tráfego sentido Perequê/Castelhanos. A partir das 16h, o contrário. Embora não exista restrição de horário com relação às bicicletas, o mais seguro é respeitar o sentido dos carros. A trilha conta com trechos bastante íngremes de subida e de descida e encontrar um jipe no sentido contrário não deve ser uma sensação nada agradável. Nessa época de temporada os jipes são muitos, por isso, a ideia de não respeitar os horários não é muito recomendado, não… O ideal é sair até mais cedo e encontrar com eles somente no meio do caminho.

Assim como a vegetação, a altimetria do percurso é selvagem. Você sobe cerca de 720 m do nível do mar, para depois descer tudo de novo e encontrar com ele novamente. Empurrar a bike, portanto, também faz parte da aventura, ainda mais se você estiver com os alforjes carregados.

Toda a trilha é de terra e há vários trechos com muita pedra solta. Em dias de chuva, acho que não deve ser uma boa ideia fazer a trilha não…

Por ser coberta de mata, no calor, a transpiração é intensa. Então vale levar uma caramanhola extra para não desidratar. Durante o caminho existem diversas bicas e pequenas cachoeiras para abastecer, mas com o suor intenso, confesso que uma garrafinha apenas não deu conta.

No meio da trilha você também encontra com um mirante incrível que dá para ver Castelhanos e seu mar azul lá de cima. É de encher os olhos, mesmo!

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Existe um grande rio no final da trilha, mas você não precisa atravessá-lo com a bicicleta (na internet você pode encontrar várias fotos de gente metendo a bicicleta no rio, mas isso, não é necessário…).

Logo ao lado há acesso por uma pequena ponte de madeira e uma trilhazinha curta que já dá quase acesso à praia.

A praia

A praia de Castelhanos é uma praia brava, de ondas fortes e azul intenso. Existem cerca de 3 opções de restaurantes no local, onde um prato com arroz, salada, feijão e peixe frito sair por volta de R$ 50,00. Há também opções de petiscos e pastel, que saem mais em conta. A caipirinha de folha de mexerica é uma atração da gastronomia local e não sejamos pão duros, vale desembolsar R$ 12,00 para experimentar essa iguaria pelo menos uma vez na vida.

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Existe apenas uma opção de camping, o “Camping do Leo” e a diária custa cerca de R$ 15,00. Nessa parte da ilha não existe luz elétrica, por isso não se esqueça de levar sua lanterna. Existem também casas para alugar, mas o local não conta com nenhuma pousada.

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Para quem quiser cozinhar no camping também é importante levar toda a comida. A vila conta apenas com uma pequena venda, mas que não possui muitas opções.

Além da comida e lanches para o caminho, o repelente é um item essencial que não pode faltar no alforje. Assim como o mar e a natureza, os borrachudos são selvagens e eles tem mais fome do que ciclista de final de semana.

A cachoeira

Além da praia, Castelhanos conta com uma cachoeira incrível, a Cachoeira do Gato que você acessa por uma trilha não muito difícil de fazer.

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No meio do caminho você pode dar de cara com uma Caninana, uma cobra preta e amarela, que apesar de não peçonhenta me deixou morrendo de medo e quase me fez desistir de seguir em frente. Quem acompanha esse blog já sabe que sou medrosa e dar de cara com uma cobra que tinha quase uns dois metros e vinha assim na minha direção foi uma aventura e tanto! Senti todos os ossos tremendo!IMG_0461

Para curtir a praia e a cachoeira, o ideal é ir em um dia, acampar e voltar no outro. Até porque a trilha não é super light e um descanso ao som das ondas vale a pena!

E você? Tem dicas de pequenas viagens? Qual seu roteiro preferido para finais de semana e feriados? Escreve aí nos comentários que vou A-DO-RAR!

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11 comentários

  1. Helga, muito legal este “post”!

    Eu costumo fazer estas pequenas viagens sempre que surge uma oportunidade. Visitando a região, conhecendo a minha própria cidade e cidades vizinhas. 🙂 É tão simples!

    Embora a ideia seja promover o cicloturismo, estas pequenas viagens, pérolas da aventura, podem ser feitas a pé, de trem, de ônibus, de carona… Também já fiz viagens lindíssimas assim! (Tá bom… Viajar de bike é minha paixão…)

    Coincidentemente, acabei de ler o livro “Microadventures”, de Alastair Humphreys, que traz belos exemplos de como começar a viver uma vida de aventuras. Interessante para quem desconhece as possibilidades do próprio quintal. Acho que estas pequenas aventuras um dia levam as pessoas a voltas ao mundo, e retornando ao prazer de se aventurar pela vizinhança.

    Helga, seu texto é inspirador!

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    • Oi Ricardo! Que legal ler seu comentário! Pois é, também acho que as grandes aventuras começam mesmo com os passos menores, essa vontade de desbravar a vizinhança. Amo o Alaistair Humphreys, o blog dele é uma inspiração para mim! Quero saber mais sobre esse livro!! bjs

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  2. Estive na Ilha Bela uma vez, mas faz tanto tempo atras que so lembro de pequenos momentos… flashes de memoria. Uma coisa que me lembro bem , entretanto, sao os mosquitos 🙂
    Minhas dicas de pequenas viagens seriam todas aqui no Pais que eu moro. Isso vale?

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      • OK, entao ai vai…
        Para comecar, minhas pequenas aventuras ciclisticas estao todas no meu Blog http://eyecycled.com/blog/pt_BR/
        Ano passado pedalei todo o Caminho de Santiago de Bicicleta, mas acho que isso nao conta como uma pequena viagem, uma vez que foram quase 1000 Km.
        Em termos de pequenas viagens de bicicletas fiz apenas 3 por aqui por perto: Duas de 3 dias e uma de 1 dia com um amigo.

        1) Viagem da minha casa para Ilha de Wight e volta pela Ilha: http://eyecycled.com/blog/pt_BR/index-pages/isle-of-wight-tour/

        2) Viagem da minha casa para Bath, na regiao de Sommerset, e volta pela cidade no circuito de 2 tuneis: http://eyecycled.com/blog/en_GB/index-pages/bath-on-ncr4-and-two-tunnels-circuit/

        3) Passeio de 1 dia de Bath para Bristol pela ciclovia da antiga estrada de ferro: http://eyecycled.com/blog/en_GB/2015/12/31/eyecycled-the-bath-and-bristol-railway-path-via-the-two-tunnels-greenway/

        Apenas o 1 primeiro post esta em Portugues, os outros 2 soh escrevi em Ingles.

        Alem disso faco com frequencia o percusso de minha cidade ateh Windsor, onde fica o famoso castelo da familia real. Sao uns 50 Km e ja gravei e escrevi varias vezes sobre esse percurso.

        Na pascoa eu e um amigo estamos pretendendo fazer outra viagem de 3 ou 4 dias. As opcoes no momento sao percorrer uma rota chamada “Way of the Roses” (caminho das rosas) no norte da Inglaterra, que eh uma rota que vai de uma costa a outra do Pais ou percorrer a rota no sul da Inglaterra conhecida como “Devon Coast to Coast”, que, como o nome sugere, tambem eh uma rota que vai de costa a costa. Ambas tem aprox. 100 milhas (160 Km) de extensao (O caminho das rosas eh um pouquinho maior). Estamos mais inclinados a fazer a rota de Devon, por ser mais proxima de onde moramos.

        Caso alguns de seus seguidores se interessem em vir pedalar na Inglaterra, me coloco a disposicao deles. Aqui existe uma organizacao nao governamental de ambito nacional que gerencia todas as ciclovias Britanicas, chamada SUSTRANS. O site deles esta cheio de dicas e contem mapas de toda a extensa rede de ciclovias do Pais. Recomendo para quem estiver interessado > http://www.sustrans.org.uk

        Obrigado Helga. Abracos a todos.

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  3. Tenho receio de fazer essa travessia para Castelhanos sozinho … mas a minha próxima ida para lá (em algumas semanas) eu irei encarar mesmo sozinho.
    Gostei mto do seu texto ! 👏🏻👍🏻

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    • Oi Rafael! Encare sim! Vale a pena com certeza! Leve comidas bastante energéticas para reabastecer no caminho e água. Se puder, vale a pena acampar por lá. Ir e voltar no mesmo dia é perna! Obrigada pela visita e pelo comentário! 🙂

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