Como escolher uma estrada para viajar de bicicleta

O mundo seria mais bonito se existissem estradas próprias para bicicletas? E se viajar de bicicleta significasse somente viajar por rotas fechadas, exclusivas, livres da convivência com os carros e, principalmente, com os caminhões? Essa é uma questão que eu sempre me fazia, afinal, a segurança é uma bela preocupação para quem coloca uma bicicleta na estrada.

Porém, acho que esse é o tipo de pergunta não nos leva a muitos lugares (literalmente), já que as rotas exclusivas ainda são a minoria no Brasil e no mundo, e como muitos cicloviajantes já comprovaram, não é preciso ter uma rota exclusiva para se viajar de bicicleta.

Para quem nunca viajou de bicicleta, acho válido experimentar uma rota fechada para ver se o “bichinho cicloviajeiro” também te morde e você acaba se viciando (comigo foi assim…). Aqui no Brasil, o Circuito do Vale Europeu, Circuito das Araucárias, Costa Verde Mar, Caminho da Luz são roteiros bem bacanas para quem quer dar as primeiras pedaladas. Mas não vou mentir, colocar uma bicicleta na estrada é bem diferente de cicloviajar por uma rota fechada ou turística…

Para quem vai de um ponto a outro de uma estrada com uma bicicleta, sem saber muito o quê vai encontrar pelo caminho, acho que algumas dicas são bastante válidas! E essas são algumas coisas que aprendi, e gostaria de compartilhar, sobre escolher uma estrada para viajar de bicicleta.

A segurança e o retrovisor

Para mim o retrovisor é um dos itens mais importantes para se cicloviajar por qualquer estrada. Com ele, você pode acompanhar o movimento dos demais veículos e se livrar de pequenos ou grandes acidentes. Não sei se vocês já passaram por essa situação, mas um caminhão passando em alta velocidade por um ciclista pode derrubá-lo. Por isso, ao ver um caminhão furioso no seu retrovisor, você pode diminuir a velocidade e se colocar o mais longe possível dele no acostamento evitando esse tipo de situação, ou mesmo, parar a bicicleta. Carros em ziguezague também podem ser acompanhados pelo retrovisor e como você nunca sabe se eles vão ou não atingir o acostamento o jeito é se livrar dessa situação, esperando o sujeito passar.

O retrovisor também é bastante útil para trechos sem acostamento ou com acostamento muito ruim. Em situações como essa, eu costumo pedalar na pista mesmo e só vou para o acostamento quando vejo um veículo vindo através no retrovisor. Acostamento ruim, além de ser difícil de pedalar, pode significar alguns pneus furados pelo caminho, por isso, vou sem medo e caio na pista, desde que haja esse pequeno item, mas não menos maravilhoso, o retrovisor!

Por essas e tantas outras situações, eu diria que um retrovisor é algo realmente importante se você deseja viajar de bicicleta, pois ele te salva de uns belos perrengues. Você pode optar por modelos para colocar no seu capacete, ou mesmo na bike. No começo é um pouco estranho, mas você se acostuma rápido.

Muito além do Google

Não faz muito tempo que o Google Maps incluiu no template brasileiro aquela bicicletinha ajudando muitos ciclistas a viajarem pelas estradas daqui e do mundo. Porém, seja aqui no Brasil, seja fora, nem sempre o Google traz as melhores informações em termos de “melhor estrada para se pedalar”. Como já me meti em algumas roubadas com o Google e não acredito em GPS, acho que conversar com quem já viajou e também com locais pode te ajudar a evitar muito perrengue. O Google é sim uma ótima referência para traçar uma rota e saber por onde ir, mas não é a única.

Depois de checar a rota, eu sempre saio pelas redes sociais ou junto aos locais perguntando. Conversar com outros ciclistas também é uma forma bacana. Sempre tenho o critério de escolher a estrada que possui menos movimento e acostamento. Essas são quase sempre as eleitas.

Recentemente, indo para Bauru eu passei pela experiência de viajar muito por grandes rodovias. Até então, eu considerava isso uma possibilidade quase impossível devido ao movimento dos caminhões e também ao tráfego intenso. Viajei boa parte pela Marechal Rondon e pela Castelo Branco e digo que foi uma surpresa muito boa. Os acostamentos são enormes, lisos, a estrada é em boa parte monitorada pelas concessionárias, o que te deixa bem seguro. Além disso, você conta até com postos de parada, onde é possível tomar água gelada e até um cafezinho!

Curti bastante a viagem, encontrei boas paisagens para descansar e aproveitar e até algumas surpresas como contei nesse vídeo.

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Pausa pro sanduíche

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De boas na Marechal Rondon

Estradas de terra X Estradas de asfalto

Eu não vou mentir, sou bem mais do asfalto do que da terra, mas acho que esses dois tipos de estrada possuem vantagens e desvantagens para uma cicloviagem. As estradas de terra, em geral tem menor tráfego, o que traz mais segurança para pedalar. Também são mais frescas, já que o asfalto no calor transforma tudo em um inferno, e possuem mais locais para acampar se você gosta do mato. Porém, elas diminuem consideravelmente sua velocidade, o que faz com que a viagem empaque um pouco.

Pneus muito finos não são uma boa para esse tipo de estrada e em dias de chuva, prepare-se para lama.  Algumas pedras soltas no caminho também podem render super tombos. Assim como as estradas de asfalto, estradas de terra podem estar em ótimas condições ou péssimas condições.  Mas em péssimas condições, precisa ter bastante paciência para enfrentar.

Nas estradas de terra, costumo encontrar mais cachorros soltos também e que nem sempre são super amigos da bicicleta. Quando vejo um cão na minha direção ou eu paro a bike e espero ele se acalmar (o que não é uma boa opção, se o bicho estiver com raiva, por exemplo) ou dou uma esguichada de água para espantar.

Nas estradas de asfalto, em geral, você precisará conviver com os carros, aquele zum zum zum na orelha bem pentelho e ter mais cuidado com o movimento. Mas em compensação, você pode andar mais rápido, botar uma boa playlist no ouvido e seguir muito bem. Sempre falo que se a playlist é boa eu chego até na China… Na minha última viagem de Sorocaba a Bauru, fui ouvindo City of the Sun, um grupo de musica instrumental que é um delírio. Super recomendo!

Amar a estrada

Eu juro que não sei o que acontece e imagino que isso seja algo bem particular. Mas eu amo estar com uma bicicleta na estrada! Desde o meu primeiro Audax, acho que pedalar na estrada é um convite a meditação e aos bons pensamentos, é realmente um presente, mesmo que as condições não sejam ideais. Quando eu pedalo na estrada sinto que estou muito conectada com o presente, me livro de uma série de preocupações e me permito desfrutar mais das coisas. Acho que a velocidade da bicicleta é outro ponto que amo, pois ela nos permite a enxergar muitas coisas novas pelo caminho.  É subjetivo, não cabe muito nas palavras, só posso dizer que me faz um bem tremendo e eu mega recomendo.

E ai? Essas dicas foram boas pra você? Que tipo de estrada você escolhe na hora de viajar de bicicleta? Me conta aí nos comentários!

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6 comentários

  1. Finalmente encontrei alguém com o mesmo perfil como cicloviajante! Desde 2013 faço viagens em bicicleta, quase sempre pelo estado de São Paulo. E 99,9% das vezes por asfalto.

    Concordo em quase tudo: só não ouço música durante o pedal, me tira a concentração, mas isso vai de cada um. Já passei por todas as grandes estradas paulistas, inclusive um pequeno trecho da terrível Dutra, que preferi evitar lá no Vale do Paraíba, tendo preferido a Estrada Velha.

    A melhor estrada para se percorrer em bicicleta é a Castelo Branco, um tapete e com baixa altimetria. E no outro extremo, o pior trecho são os 33 kms da SP-255 entre São Manuel e a Castelo Branco, por conta do torturante acostamento e o altíssimo trânsito de carretas, o que nos impede de ir pelo asfalto.

    Adoro viajar pedalando. E sou mesmo do asfalto e da cidade, visto que sou pessoa essencialmente urbana. Não vejo muita graça em pedalar atrás de cachoeiras… prefiro conhecer cidades e principalmente as estações ferroviárias ainda existentes, mesmo que apenas em ruínas. Na adolescência viajava muito de trem, daí essa preferência. Sim, sou bem velhinho: 64 anos na conta.

    Boas pedaladas!

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    • Hehehhehe que demais seu relato César! Eu gosto da paisagem da estrada com asfalto também. Quem gosta de terra é minhoca né? rs Brincadeira! Tudo tem suas vantagens e desvantagens. Quando escuto música eu uso somente o fone no sentido contrário ao da estrada, para não perder a concentração tb… Mas acho pedalar com música maravilhoso! Obrigada pela visita e pelo comentário!

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  2. Oi gente, gostei dos comentários. Eu sou esse bicho cicloviajante como vcs. Gosto do asfalto, mas prefiro as estradas de terra, gosto do contato mais direto com a natureza, por isso sou campista também. A rod. Castelo Branco e muito boa, porém não há sombras e isso pode atrasar a viagem, pois a exposição prolongada ao sol causa desidratação e por isso, muitas paradas são necessárias para o ciclovia jante, valeu!

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    • Oi Haara Celly! Peguei chuva na maior parte dos dias que passei pela Castelo e Rondon, mas super concordo contigo. Porém as estradas terra também podem ser de alta temperatura. Já passei por umas estradas no meio do mato, que as arvores faziam o papel de “estufa”, pois o calor só entrava através da mata e com a umidade a temperatura parecia ser ainda maior. Tem sempre os dois lados em tudo! Obrigada pelo comentário e também pela visita! E viva os bicho cicloviajante!! bjs

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  3. “já que as rotas exclusivas ainda são a minoria no Brasil e no mundo”. Gostaria que me indicassem onde ficam essas rotas brasileiras, que são exclusivas; pois, sinceramente, por mais que pesquisasse, não as encontrei. “O mundo seria mais bonito se existissem estradas próprias para bicicletas?” Seria, não, é; pois esse mundo maravilhoso existe e é formado por esses países: Bélgica, Holanda e Alemanha. Nesses 3 países é impossível não se achar rotas interligando todas as cidades. Os demais países europeus do oeste (menos Portugal e Espanha, com rotas quase zero), estão caminhando para se tornarem esse paraíso (França, Itália, Inglaterra, República Checa, Áustria, Eslováquia, Hungria, Suíça, estão quase lá) e o restante do Leste europeu ainda tem muito que fazer.

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    • Olá, Wagner! Obrigada pelo comentário e pela visita. As rotas brasileiras estão linkadas no post! Vale a pena conferir. Pedalei pela Holanda e pela Bélgica e não, não existem rotas exclusivas por lá. O que existem são ciclorotas com espaços compartilhados com os carros (e caminhões tb) e muito respeito. Apenas na França andei por rotas onde somente bicicletas podiam andar. Acho que o mais importante do que lugares exclusivos é o respeito.

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